Claudio Tozzi já produziu pinturas, gravuras, objetos, esculturas, painéis, fachadas de edifícios, murais e instalações. Graduado, mestre e doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, o artista já apresentou suas obras em importantes instituições e mostras como a Bienal de Veneza (1976), a Bienal de São Paulo (1991), o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o Museu da Casa Brasileira e o Museu Brasileiro de Esculturas. No ateliê do artista, no bairro Sumaré, na capital paulista, o escritor Fábio Magalhães o entrevistou para a coleção Arte de Bolso, disponível também na versão digital.

O artista começou a produzir na década de 1960, inspirado por fatos e histórias de jornal conhecidos pelo grande público. Em sua paleta de temas, Tozzi trabalha a imagem de personagens como Che Guevara, o Bandido da Luz Vermelha, o astronauta. Outra importante fonte de inspiração são as histórias em quadrinhos.

Tozzi sempre mostrou especial interesse pela gráfica e procurou, ao longo da sua vida, explorar novas possibilidades tecnológicas e expressivas. Trabalhou também com a fotografia e com os novos processos de reprodução gráfica da imagem.

Além disso, o artista realizou inúmeras obras de intervenção nos espaços urbanos e provocou polêmica com o painel Zebra, de grandes dimensões, realizado em 1972, na lateral de um prédio na Praça da República, no centro de São Paulo. Algo pioneiro tendo em vista a implantação de uma obra de arte num espaço que até então era utilizado unicamente pela publicidade.

 

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Claudio Tozzi_Arte de Bolso_capa do livro

Você também foi um artista pioneiro, no sentido de realizar intervenções inusitadas no meio urbano.

Sempre tive a intenção de fazer arte para o grande público. As intervenções em espaços urbanos, a arte pública, permite este contato. Tinha como proposta deslocar o quadro de seu espaço tradicional: o museu, a galeria, a sala de visitas, e colocá-la na cidade. Minha primeira experiência, em 1971, foi acoplar um painel de 8m x 8m, na lateral de um prédio da Praça da República. Escolhi como tema uma zebra, olhando, de um jeito bem displicente, para a praça. As pessoas se divertiam, pois achavam que era propaganda da loteria esportiva. Na época, aquele animal simbolizava o “azarão”, o resultado inesperado. Depois a incorporaram como um quadro. Foi executada em tinta à base de poliuretano, sobre placas de zinco. Está lá até hoje. Fiz também, na mesma região central, um objeto chamado “Veja o Nú”, colocado na Rua Barão de Itapetininga, que despertou grande interesse no público.