Mais um lançamento da coleção Arte de Bolso chega às prateleiras virtuais. Dessa vez, a publicação escrita pelo crítico de arte e jornalista Miguel de Almeida convida os leitores para uma “conversa” com a renomada artista plástica ítalo-brasileira que trabalha como gravadora, escultora, pintora, muralista, curadora, figurinista, cenógrafa e professora, Maria Anna Olga Luisa Bonomi, ou simplesmente Maria Bonomi.

A arte brasileira das últimas décadas acostumou-se à presença crítica e criativa desta que é uma gravadora, agitadora e polemista, uma vez que as intervenções desta artista partem de um caráter estético e político, “dentro da ideia de que o artista é capaz de interferir − ou melhorar − o meio com sua vida e obra”, descreve Almeida.

Nas palavras do filósofo Luiz Armando Bagolin, ex-diretor da Biblioteca Mário de Andrade e curador do prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (CBL), “Bonomi, talvez seja o único caso, de uma artista que tendo vivido e acompanhado de perto muitas das vanguardas artísticas a partir da segunda metade dos anos 1950, não se filiou a nenhuma delas, nem às abstrações, nem aos pop artifícios, nem aos novos realismos”.

 

CONFIRA UM TRECHO DO LIVRO:

Como surge a Maria Bonomi?

O seu início é por meio do desenho. Foi o instrumento que você utilizou para superar um problema de saúde. Realmente, meu início é pela surdez. Eu era uma criança surda, de 5 ou 6 anos, e portanto um pouco isolada, então eu desenhava muito, gostava muito de desenhar tudo que via. Desenhava, jogava fora, desenhava, jogava fora, pelo puro prazer de desenhar. Mas não era tanto o desenho que me encantava, era a anotação, o registro. Eu ficava registrando coisas, fantasias, grudava uma realidade com um sonho e de repente aquilo virava uma coisa possível no desenho. Eu fazia muito isso. Estávamos saindo da Itália rumo ao Brasil e, como minha mãe era brasileira, fomos ao consulado. Raul Bopp estava lá e nos recebeu. Nem ela sabia que era o poeta, ele foi muito gentil, me deu de presente seu Cobra Norato. E eu cheguei em casa e imediatamente ilustrei o livro. É uma história maravilhosa, eu tenho esses desenhos até hoje. Achei que era uma história fantástica e precisava ser ilustrada, precisava ter figurinhas. Essa era a minha atitude, eu desenhava tudo. Eu via, eu pensava, eu anotava. Fazia um discurso interior, num caderninho. A maioria desses caderninhos eu perdi.

Maria Bonomi_Arte de Bolso_Maria Bonomi pintando no cavalete_São Paulo_1951.

Maria Bonomi pintando no cavalete, São Paulo, 1951

Maria Bonomi_Arte de Bolso_Maria Bonomi trabalhando em Epopéia Paulista

A artista trabalhando em “Epopéia Paulista”, no anexo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, 2005