Pintor, fotógrafo, diretor de cinema, além de criador de instalações multimídia, Miguel Rio Branco é mais um dos protagonistas da coleção digital Arte de Bolso. Escrito pela jornalista e crítica de fotografia Simonetta Persichetti, o e-book traz uma entrevista, imagens e cronologia do trabalho deste artista que vive e trabalha no Rio de Janeiro, mas que já trabalhou intensamente na Europa e Américas desde o começo de sua carreira, em 1964.

Miguel Rio Branco dirigiu e fotografou curtas e longas metragens e, paralelamente, desenvolveu um trabalho documental na fotografia de forte carga poética. Em pouco tempo foi reconhecido como um dos melhores fotojornalistas de cor.

“[Ele] sempre usou a fotografia como meio de expressão, descartando a falácia espalhada por críticos de arte de que a fotografia só é arte quando manipulada. Para comprovar tal falácia, basta passear por inúmeras galerias que hoje acreditam tratar de arte contemporânea para vermos inúmeras fotos manipuladas, trabalhadas por meio do computador e sem a menor consistência plástica, e muito menos de conteúdo”, descreve Persichetti.

CONFIRA UM TRECHO DO LIVRO:

Conversar com Miguel Rio Branco é quase uma viagem sem fim. Os assuntos se acumulam e a conversa vai para onde quer. Muitas vezes é preciso esforço para retornar ao tema. Esta entrevista foi feita em duas etapas. A primeira num dia quente e ensolarado em sua casa em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, de frente para uma mata maravilhosa e no meio de suas fotografias, do seu arquivo e de seus livros. O segundo encontro aconteceu em São Paulo, durante a vinda de Miguel Rio Branco para um evento fotográfico. Abaixo, o resultado dos encontros.

Na fotografia você começou com fotojornalismo?

Na verdade eu não comecei com fotojornalismo. Comecei com um trabalho de documentação, de observação: essas fotos me ajudavam nas minhas telas, como referência, ou as fotos eram usadas em colagens que se misturavam com outros elementos nas telas. Depois, em 1968, fiquei mais ligado ao cinema e ao documentário, não tinha quase nada publicado em jornais ou revistas, nem tentava a publicação. Nunca procurei a atualidade, na verdade sempre olhei ao lado dela.

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