Tarsila (1886/1973) que está entre os pioneiros da pintura moderna no Brasil, conseguiu adequar a linguagem de alguns mestres da vanguarda parisiense de então a uma poética bem brasileira, que deixou marca em nosso modernismo. Ela aprendeu com os cubistas a buscar a estrutura geométrica, essencial, das figuras, afastando-as da visão naturalista ou acadêmica. E aprendeu, sobretudo com o pintor francês Fernand Léger, a valorizar o contorno e a energia das linhas. A isso acrescentou a sua visão lírica e sua identificação com as formas e as cores do cenário brasileiro, tanto o cenário real das paisagens como o cenário imaginário das lendas e dos mitos.

Se é hoje incontestável a importância de Tarsila como pintora – autora de algumas obras-primas de nossa arte moderna – não é menor a sua qualidade de desenhista, gênero em que sua linguagem atinge talvez o mais alto grau de síntese vocabular e intensidade lírica.

A qualidade dos desenhos de Tarsila está patente em cada um dos trabalhos expostos – muito embora, em sua maioria, sejam esboços e anotações para futuros quadros ou futuras ilustrações. Como esboços, não alcança em geral a forma final sintética das melhores criações de Tarsila nesse campo. Não obstante, possibilitam-nos surpreender no nascedouro a foram futura e noutros casos experimentar o frescor do traço que registra a experiência primeira.